A reforma tributária deixou de ser promessa e virou rotina: desde janeiro de 2026, as notas fiscais eletrônicas já destacam os dois novos tributos — a CBS (federal) e o IBS (estadual e municipal) —, que vão substituir gradualmente o PIS, a Cofins, o IPI, o ICMS e o ISS.

Se a sua empresa ainda não se mexeu, este é o momento. Não por alarmismo, mas por um motivo concreto: o período de tolerância acabou.

O que já mudou na prática

Em 2026, as alíquotas ainda são simbólicas — 0,9% de CBS e 0,1% de IBS — e têm caráter apenas informativo: o valor destacado é compensado com o PIS/Cofins devido no mesmo período. Ou seja, por enquanto ninguém está pagando imposto a mais.

Mas o destaque nas notas não é detalhe burocrático: é o teste geral do novo sistema. O Fisco está cruzando esses dados eletronicamente, e erros de preenchimento que antes passavam despercebidos agora aparecem rápido.

O período sem multas acabou

Até abril de 2026, errar o preenchimento da CBS e do IBS não gerava penalidade — era a fase de adaptação. Esse prazo terminou. Quem ainda emite notas com as informações erradas ou incompletas está acumulando risco fiscal silenciosamente.

E quem está no Simples Nacional?

As empresas do Simples estão dispensadas do destaque em 2026 e só entram nessa obrigação em 2027. Mas há uma decisão estratégica que precisa ser pensada desde já: a lei criou o chamado “Simples híbrido”, que permite recolher a CBS e o IBS pelo regime regular, transferindo créditos integrais para os clientes.

Por que isso importa? Porque empresas que vendem para outras empresas podem ficar em desvantagem competitiva se não gerarem créditos para seus clientes. Para quem vende ao consumidor final, o Simples tradicional tende a continuar valendo a pena. É uma conta que precisa ser feita caso a caso — e com antecedência.

Como se preparar

Três frentes merecem atenção ainda este ano: revisar o cadastro fiscal e os sistemas de emissão de notas, para garantir que CBS e IBS estão sendo destacados corretamente; revisar contratos de longo prazo, que precisam prever como os novos tributos afetam preços e cláusulas de reajuste; e, no caso do Simples, simular os cenários antes de decidir o regime de 2027.

A transição completa vai até 2033, mas as empresas que se organizarem agora vão atravessá-la pagando o imposto certo — nem mais, nem menos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise do seu caso concreto. Se você quer entender como essas mudanças afetam a sua situação, fale com a nossa equipe — o primeiro passo é uma conversa.

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